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Embraer conduz debate sobre Indústria 4.0 na RM Vale TI

Implantação do conceito é o desafio do setor na próxima década

por Rodrigo Machado
Portal Meon

Transformar fábricas inteligentes para tornar o processo competitivo, inovador e global. Esse conceito de Indústria 4.0 – sistemas que monitoram processos físicos, criando uma cópia virtual de todo o processo para possibilitar tomadas de decisões descentralizadas -, foi apresentado no segundo dia do encontro da 3ª RM Vale TI, em São José dos Campos. O evento conta com o apoio do Meon.

A onda tecnológica que vai desafiar a próxima década foi um dos destaques desta terça-feira (19) no Parque Tecnológico com a participação de nomes ligados ao setor de produção de aeronaves como o do gerente corporativo de tecnologias de manufatura da Embraer, João Carlos Zerbini.

O executivo mostrou que a indústria nacional enfrenta um desafio que pode mudar o rumo do desenvolvimento de produção, apostar em tecnologias usadas globalmente e que ampliam a produtividade, a conectividade e a robotização nas companhias.

“Manufatura avançada na indústria aeronáutica é um termo importante, principalmente na Embraer, que trata a redução de custos e o uso de tecnologias para esse objetivo. É a onda tecnológica que vai desafiar a próxima década”, disse. “Na Embraer, todos os dados e informações desde matérias-primas, desenvolvimento de projetos, linha de produção e até produtos descartáveis estão conectados”, disse.

Segundo Zerbini, o case da Embraer pode ser considerado sucesso e exemplo para as indústrias também de outros setores no país e exterior. “Em junho deste ano, a empresa foi considerada a mais inovadora do Brasil e com presença em 10 países com manufatura avançada. No país, as unidades em São José, Gavião Peixoto, Botucatu e Taubaté,  temos o conceito implantado”, afirmou.

Indústria 4.0
O conceito também conhecido como a 4ª Revolução Industrial nasceu na Alemanha, depois de o governo enxergar a necessidade da informatização do processo de manufatura, englobando algumas tecnologias para automação, troca de dados em tempo real e a capacidade do controle instantâneo.

“A onda pegou e provou os benefícios globalmente. Nos EUA, a Rede Americana para o Desenvolvimento da Manufatura reúne ações do governo com a integração de academias (universidades e centros de pesquisas), empresas e a forte presença do poder público. O interessante é ter investimento e interesse do governo”, disse Zerbini.

E essa visão de digitalizar os processos da indústria promoveu a capacidade de ter informação de qualquer lugar do mundo rápido, gerando menos custos e tornando o processo mais integrado e global.

O diretor de tecnologia da DataBot Software Intelligence, Alexi Condor dos Santos, desenvolveu o IM2 – Intelligent Manufacturing Manager e apresentou na exposição de novas tecnologias da RM Vale TI. Fundada em 2014 no Parque Tecnológico São José dos Campos com o objetivo de desenvolver sistemas para a nova necessidade mundial para a indústria 4.0, a empresa atende multinacionais da Espanha e Brasil.

“Na prática  você tem linhas de produção automatizada, mas os dados gerados não são usados para melhorias, problemas de rastreamento de produtos, entre outros. Com esse sistema, aplicamos algoritmos de inteligência com capacidade de levantar essas informações, trabalhando dados e extraindo pontos relevantes para a produção”, disse.

Programação
Além da exposição, palestras e mesas de discussão sobre temas inovadores, a RM Vale TI receberá nesta quinta-feira (20) um encontro com os prefeitos eleitos da RMVale, que serão recebidos pela Frente Nacional de Prefeitos, e pela ABDI (Associação Brasileira para o Desenvolvimento Industrial), que é quem coordena nacionalmente todos os projetos do Governo Federal para o desenvolvimento de cidades inteligentes no Brasil.

“O objetivo do encontro é apresentar os programas nacionais aos prefeitos, ouvir suas demandas e concluir a reunião com grupo de trabalho para a execução de políticas públicas e ações, que resultem na melhoria das nossas cidades, por meio de tecnologias desenvolvidas no Vale do Paraíba, com o suporte do TIC Vale e do Parque Tecnológico”, apontou o coordenador do Arranjo Produtivo Local (cluster) TIC Vale, Marcelo Nunes.